Rally “Negro”
À semelhança do que tem acontecido com o mercado accionista, o mercado das commodities energéticas tem-se apresentado muito volátil, influenciado não só por factores do lado da oferta como também do lado da procura, pelo que ainda é muito cedo dizer com exactidão, qual será a tendência futura até haver um novo ponto de equilíbrio.
Apesar do “ouro negro” ter superado esta semana a fasquia dos 40 USD/bbl, sobretudo em reflexo dos inventários norte-americanos e das expectativas em torno da reunião dos países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e a Rússia, que se realizará em Abril, na esperança de a produção de petróleo ser cortada, ainda é prematuro antever com rigor uma trajectória crescente dos preços. A depreciação do Dólar norte-americano, diante da Reserva Federal do EUA ter decidido manter as taxas de juro directoras, também contribuiu para a subida da matéria-prima nos mercados internacionais.
Desde o início do mês de Março, que o preço do barril WTI cotado em Nova Iorque subiu 16,86%, de 33,75 USD/bbl em 29 de Fevereiro para 39,44 USD/bbl em 18 de Março; enquanto que o preço do barril Brent cotado em Londres e de referência para as Ramas angolanas, subiu 14,54%, de 35,97 USD/bbl em 29 de Fevereiro para os 41,20 USD/bbl em 18 de Março, atingindo máximos de três meses.
Este cenário de subida poderá ser a esperança para países que dependem quase exclusivamente da receita do petróleo, como é o caso de Angola. Qualquer alteração da sua cotação contribui significativamente para a posição da sua Balança de Pagamentos com o exterior, tendo repercussões ao nível interno, como a entrada de menos divisas no mercado, nomeadamente de Dólares; a subida do nível geral de preços da cesta básica, apesar dos preços dos bens alimentares no mercado internacional estarem em queda; e, sobretudo, gera pobreza e agitação social.
É por essa razão, que os países dependentes do petróleo, monoprodutores e monoexportadores, deverão alterar o seu paradigma de modelo de crescimento económico, apostando em outros sectores-chave da economia, como por exemplo, agro-indústria, floresta, pesca, exploração de recursos minerais, rochas ordenamentais, bebidas e águas, cimento, turismo, etc.
Nenhum dos países da OPEP respira “democracia”, sendo comandados por um estado totalitarista, em que o domínio das reservas petrolíferas é conquistado por guerras e contaminado por corrupção. Esses actos ilícitos e violadores dos direitos humanos alimentam as elites locais despesistas, constituindo o lado mais negro e perigoso deste recurso escasso.
Há quem diga que estamos perante o início do fim da era do petróleo convencional, pelo menos em patamares elevados. Com o advento da extracção de petróleo proveniente 2 de gás betuminoso de xisto e o fim das sancções económicas ao Irão, verificou-se um excesso de oferta de petróleo global sem precedentes, jamais sentidos na história energética. O Irão desde 1997 que não produzia tanto petróleo, ao ter superado a barreira dos 3 mil barris diários no início do ano, tendo intenção de produzir até ao final do ano 4 mil barris diários. Por outro lado, o abrandamento da economia chinesa, em busca de menores matérias-primas, conduziu a uma quebra na procura global, pelo que o desequilíbrio entre a oferta e a procura permanecerá no curto prazo, até que os indicadores económicos se apresentem sólidos, despistando qualquer receio por parte dos investidores, pelo que se apela a muita precaução, pelo menos por enquanto, recomendando-se evitar excessos irracionais.
Alguns bancos internacionais de referência, como o Banco Nacional de Abu Dhabi e a Goldman Sachs, antecipam que o excesso de oferta de petróleo no mercado perdurará até 2017, podendo atingir um pico mínimo de 20 USD/bbl, voltando depois a situar-se num intervalo compreendido entre os 25 e os 45 USD/bbl no resto do ano. É neste intervalo de preços que possivelmente se definirá um novo equilíbrio entre a oferta e a procura, pelo menos até ao final deste ano.
Os actuais níveis de preços do petróleo poderão causar mais falências no sector petrolífero, levando à diminuição da capacidade de produção e refinação e à redução do investimento no sector. Só depois da eliminação da concorrência no mercado é que os preços tornar-se-ão robustos, mas nunca em patamares iguais aos dos anos anteriores, isto porque estamos a assistir a um choque tecnológica, em que a introdução de uma inovação gera competitividade de preços.
